terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Um amor incerto - Parte final

-Só vou te soltar quando você der um beijo de língua nele-
Não pensei duas vezes, abri minha boca e deixei que o clima me levasse, eu queria dar aquele beijo, mas não na frente de todos, não naquela festa, mas não tinha opção, aquele fora meu primeiro beijo e fora forçado, mas fora com o garoto que eu amava e tenho que admitir: Jorge sabe fazer um desafio e Willian sabe beijar bem...
No dia seguinte não me lembrava de muita coisa, lembrava do desafio e do beijo, acordei, olhei para o lado e vi Willian, lembrei de parte da noite, lembrei do momento que entramos no apartamento dele e o momento que me pus a deitar, não que tenha acontecido algo a mais, pelo menos a que me lembro... Levantei e fui até o banheiro, me arrumei e fui até a cozinha, fiz um café, arrumei tudo em uma bandeja e fui de volta até o quarto. Willian ainda estava dormindo, ele estava tão fofo segurando um urso de pelúcia.. Espera um urso?? Parece-me que até ele tem seu lado fofinho e sentimental, mas acordei ele sussurrando no seu ouvido:
- Bom dia, bonitinho. – - Bom dia, meu gatão. – Ele respondeu - Eu fiz o café da manhã e fiz o cupcake que você ama, vamos comer? – Eu ofereci - Eu adoraria, mas eu teria que levantar e você sabe que eu tenho muiiiiita preguiça, meu pequeno cozinheiro, mas qual é a do avental “Kiss the cook”? – Ele brincou - Obedeça ao avental, beije o cozinheiro. - Eu disse - Você que manda. – Ele respondeu
Ele me beijou, um beijo quente e cheio de sentimentos, nos beijamos por um tempo, me afastei e ele começou a tirar minha camisa, eu o impedi dizendo em seu ouvido:
-Tudo bem, hoje é sábado, mas vamos tomar o café-da-manhã antes e fazemos o que você quiser depois – - Okay, mas... Acho que não tenho camisinha em casa... – Ele disse suspirando. - Seu pervertido, o que você quer fazer é... Seu maldito, pervertido e lindo, eu achei que você queria... – Eu comecei a brigar, mas ele colocou o dedo cobrindo meus lábios. - O que você achou que eu queria fazer? Assistir “Friends” com meu “amigo” sem camisa? – Ele disse, tirando o dedo de meus lábios.
Eu o encarei por algum tempo, lembrei que estava segurando a bandeja do café, instintivamente olhei em volta, mas não havia ninguém, até porque estávamos na casa dele, coloquei a bandeja na cama, troquei de roupa, olhei para ele com uma cara de ódio e disse:
-Vou na farmácia e você tome café, coma os cupcakes e se quando eu voltar você ainda estiver na cama e os bolinhos nas formas, eu juro que te mato. -
Fui até a farmácia, completamente corado, e comprei as drogas das camisinhas, tinha um farmacêutico, ele era a unica pessoa que sabia que eu era.... Bem, ainda é estranho dizer, mas vou tentar ser simples, que eu jogava no outro time, mas com ele era diferente, ele tinha um namorado, então isso era normal, ele me deu um sorriso de cumplicidade quando cheguei ao caixa, bem não pude me contar a soltar um leve riso e voltei para a casa de Willian, mas ainda me perguntava como Willian sabia que eu era... Que eu era gay, ainda nutro um sentimento de desconfiança a este farmacêutico, será que ele estava envolvido? bem espero que não. Isso seria realmente ruim, uma mãozinha de John e meu destino se traçou? Cheguei em casa, me assustei de como tanto as formas, quanto o que eu usara para fazer os cupcakes estavam lavados e estavam secando, entrei no quarto e lá estava Willian me esperando e então percebi como o rumo de minha vida mudará e espero que o farmacêutico, John tenha ajudado Willian nisso tudo e percebi como eu devo agradecer ao destino por tudo que tenho. Saber que esse dia seria o dia que mudaria minha vida, mudaria minha vida com o garoto que mais amava em toda minha vida...
No dia seguinte, levantei, fiz minha higiene e era novamente segunda-feira, num misto de escola, trabalho e Willian, levarei minha vida e me pergunto, será que mais pessoas tem a sorte que eu tenho? O telefone tocou, era minha irmã mais velha, Rachel, sua voz parecia sem-vida e assustada, ela só me disse uma coisa:
- Logan, mamãe - Ela fez uma longa pausa - Mamãe morreu de ataque cardíaco, suas ultimas palavras foram: "Onde está Logan? Na casa do Willian novamente?", me diz que você está a salvo com Willian, pois se algo acontece-se com você, eu juro que morreria.
- Eu estou na casa dele sim, mas estou indo para ai agora mesmo. -
- Certo, não esqueça, eu te amo e muito - Ela caiu em lágrimas -
Essa ligação repentina me fez pensar, o quanto a vida pode mudar de uma hora para outra, eu pensei em mil coisas, até mesmo me matar, porém percebi que este era o ato mais egoísta que alguém pode fazer, lembrei do que minha irmã dissera, voltei a mim quando ouvi o som de uma buzina de caminhão, senti que minha vida se extinguira naquele momento, pensei "Serei atropelado? Com minha irmã sofrendo? Não mesmo" Afundei o pé no acelerador e passei antes do impacto com o caminhão, os níveis de adrenalina em meu corpo estavam claramente altos, finalmente cheguei na casa de Rachel, encontrei ela chorando no sofá e resolvi somente consola-la e esquecer-me de tudo que aconteceu comigo, minha unica rasão para viver era cuidar de minha irmã.

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