Eu estava desaparecido.. Eu sei... Porque? Você deve estar perguntando... Eu estava tendo uma crise existencial e juro que pensei em me matar e tudo mais, mas depois de ver alguns videos da Alice (Um beijo na Bunda), acho que mudei de ideia, eu espero, acabei percebendo que seria a atitude mais egoísta que eu poderia fazer, mas foda-se minha vida pessoal, vocês querem ler os textos não é mesmo?
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Logo chegaria o tão esperado "Valentines' day" e como sempre iria passar-o sozinho, era dia 13/02, cerca de umas 18:30, estava chovendo muito, eu estava sentado em minha cama, abraçando o travesseiro e vendo a chuva caindo, após um tempo vejo um garoto, (~Ele era realmente bonito, loiro com olhos verdes, e porte atlético~) com um guarda-chuva, segurando algo, o fiquei observando, logo percebi que se tratava de um pacote, ele chegou até meu portão e apertou a campainha, não lembrava de ter pedido nada, mas se ele está aqui, devo ter o feito, desci, peguei minhas chaves e abri o portão, pedi para que ele entrasse, ele me entregou a caixa dizendo:
-Sua encomenda, obrigado pela preferencia a Amazon.com! -
- Oh! Meu kindle! Ahn, me parece que é sua ultima entrega, não gostaria de entrar, está bem frio.... Aceita um chocolate quente? - Eu ofereci
- Sim, obrigado! Você é bem gentil! A proposito, me chamo Dio. - Ele disse.
- Philip, Philip Schorlita, fique a vontade. - Eu respondi
Deixei a caixa em cima da mesa e fui até a cozinha, preparei um lanche, chocolate quente e coloquei a mesa, liguei a tv, passava "Ghost whisperer", amava aquele programa, servi Dio e disse, bebendo chocolate quente:
- Então você trabalha na Amazon.com, certo? -
- Sim, trabalho lá desde que me mudei pra cá. - Ele respondeu
- Legal, você se mudou quando? Faz muito tempo? - Eu perguntei
- Semana passada, pra falar a verdade. - Dio respondeu, dando umas risadinhas.
- Hum, aqui é muito diferen- Fui interrompido por Lucy
- Ei, mano, está de namorado novo? - Lucy perguntou
- Cala a boca, Lucy, fiz chocolate quente... - Eu respondi, enquanto Dio me encarava corado (~Quando foi que ele corou?~)
- E é por isso que eu te amo! - Lucy disse
- Pare de ser tão interesseira. - Eu disse
- Então se ele não é seu namorado, quem ele é? - Lucy perguntou
- Sou Dio, prazer te conhecer. - Dio se apresentou
- Ele é só um amigo... - Eu disse a encarando com um olhar severo.
- Amizade colorida? - Lucy insistiu
- Não, é só um amigo mesmo, porque todo cara que u convido pra vir aqui, você acha que é algo a mais do que realmente é para com a relação de tempo e espaço? - Eu disse
- Exatamente por isso... Você não fala nada que tenha sentido ultimamente, só pode estar apaixonado. - Lucy continuou insistindo.
- Oh, olha o horário, acho melhor eu ir embora, meu telefone, quando quiser é só me ligar, o que quiser, se é que me entende - Disse ele me entregando um papel.
- Tchau, Dio... - Disse Lucy, após ele fechar a porta - Ele não é seu namorado, mas me parece que ele quer ser... -
- Lucy.. Eu só não te mato, porque amanhã é dia 14/02, só em consideração ao Justin, só por isso... - Eu disse - E por causa do que aconteceu hoje. -
- Você gostou dele, não é? - Ela disse
Continua no Capitulo Um.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Drop Shot 2 - O julgamento
As pequenas coisas da vida são as melhores e as menos aproveitadas, elas tem seu proprio valor, mas não reconhecido, essas denominadas pequenas coisas podem ser um gesto simples, como um aperto de mão ou até algo mais intimo, ou como definem alguns moralistas, algo érotico ou sujo, mas um gesto de prazer como um beijo no pescoço, mas de que adianta ser um moralista se até mesmo um escritor de blogs, ou blogger como quiser chamar, lhe critica? Se bem que eles devem entender disso, pois o que mais faz um moralista se não julgar as coisas como morais ou imorais? Exatamente o que você está pensando, nada. Mas de que adianta o julgamento dos homens, diz a bíblia, somente o julgamento divino é justo.
Mas e se eu não acreditar no Divino? Como será? Se o julgamento dos homens não é justo ou certo e o divino não existir, pra que o julgamento existe afinal? Claro, para provar que o julgador é superior ao julgado, pois se eu critico um ato, significa que eu o desprezo e não o faço, mas e se hipoteticamente um juiz ou julgador, como preferir, for julgar um assassino e o mesmo tiver matado uma pessoa anteriormente? Ele será mais brando quanto a tal ato? Isso é o que define a injustiça no julgamento do homem? E para tentar finalizar sem mais delongas ou perguntas sem resposta, sim, é exatamente isso que define a injustiça no julgamento humano, então o que nos resta é torcer para que o julgamento divino seja justo, se é que ele realmente existe.
Mas e se eu não acreditar no Divino? Como será? Se o julgamento dos homens não é justo ou certo e o divino não existir, pra que o julgamento existe afinal? Claro, para provar que o julgador é superior ao julgado, pois se eu critico um ato, significa que eu o desprezo e não o faço, mas e se hipoteticamente um juiz ou julgador, como preferir, for julgar um assassino e o mesmo tiver matado uma pessoa anteriormente? Ele será mais brando quanto a tal ato? Isso é o que define a injustiça no julgamento do homem? E para tentar finalizar sem mais delongas ou perguntas sem resposta, sim, é exatamente isso que define a injustiça no julgamento humano, então o que nos resta é torcer para que o julgamento divino seja justo, se é que ele realmente existe.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Cantinho dos leitores - Cartas de alguém
Texto enviado pela leitora: Rafa Sarmento
Gênero: Romance
Titulo: Cartas de alguém
19 de novembro de 2013, Guarapari, Espírito Santo
Querido Alguém,
Não sou alguém com quem você converse muito, talvez nem alguém que você veja. Mas ficou insuportável conviver com isso sozinha. É como se não houvesse nada nem ninguém comigo, com quem eu pudesse conversar. Com quem eu pudesse me aconselhar. Sim, eu sei que você não vai me responder, imagino que essa carta esteja embaixo de uma lata de refrigerante qualquer, com uma mancha enorme nos cantos. “É uma carta boba de alguém que eu não conheço” você deve ter pensado. “Ah, é uma carta de amor de uma garota da minha escola, pode rasgar.” você disse a sua empregada ou a sua mãe. Mas eu escreverei mesmo assim, pois, mesmo sabendo que você pode estar jogando essa carta fora... Bom, ao menos eu a escrevi.
Não é a mesma coisa que escrever uma carta à mão, como eu gostaria, como eu acharia mais viável, mas eu fiquei com medo. Na verdade, é a única coisa que eu senti, durante toda a minha vida, sabe por quê? Porque eu tenho pânico de pessoas. Você deve ter percebido que eu não consigo falar quando estou com muitas pessoas. Pois então, é por isso.
Talvez você não se lembre de mim, mas eu lembro de você. Quero dizer, lembro mais da sua fisionomia, é claro. Éramos muito pequenos e, como meu irmão mais novo faz questão de ressaltar, eu não tenho uma boa memória. Sabe, não sei se você lembra, eu era a garota que usava uma lancheira e uma agenda como computador portátil, a garota que vivia chorando por tudo. É, eu sei, eu era mais... Fofa, fisicamente, mas quem não era naquela época? Éramos todos tão pequenos, com quatro ou cinco anos.
Não sei se você fez parte dessa parte da minha infância, mas, sabe, eu era uma criança feliz, embora muito chorona. Em parte, talvez seja por isso que eu tenha esse emocional complicado. Um emocional que piora a cada dia depois que minha irmã foi embora, morar no Rio de Janeiro. Sabe, por um ano eu tinha esquecido minha infância, por um ano eu tive uma amiga verdadeira, por um ano eu tinha uma irmã maravilhosa que foi, sim, minha terapeuta. Talvez seja disso que eu precise, um(a) terapeuta.
Eu sempre fui uma menina romântica, boba e antiquada. Cartas de amor manuscritas, para mim, eram as únicas maneiras de falar para alguém que eu o amava, isso, hoje, nos tempos em que tudo é escrito pelo computador, pelo teclado e mandado com tanta rapidez pela internet, é uma coisa antiquada. Mas isso é o que eu mais apreciei nos tempos antigos. Antigamente tudo era tão romântico, o romance era tão mais simples. É, talvez seja isso que eu espere para mim, algo (ou alguém) romântico, mas nem tanto; que me faça sentir como se vivesse nas nuvens e em terra firme, ao mesmo tempo; algo (ou alguém) que me fale coisas românticas, mas não muito melosas. Eu sei que isso é utópico, mas talvez seja isso que eu espere.
Nunca foi a mesma coisa falar e escrever pra mim. Escrever é sempre mais fácil de me expressar, por isso estou escrevendo esta carta. Esta carta é pra me expressar, mais que isso, me libertar. Me libertar de algo que eu sinto, de algo que eu não consigo me separar, não mais.
Talvez fosse mais fácil se você fosse mais arrogante, mais frio. Mas não, você tinha que ser, como dizem, gente boa e, pra mim, fofo. Sim, eu já gostei de você uma vez, por um longo tempo, eu achava que era uma coisa boba na época, como aqueles namoricos de infância que alguma vez todos temos. Mas não. Por um tempo eu esqueci, minha cabeça enlouqueceu, eu não sabia de quem gostava mais. Eu não sabia se gostava de mim mesma. Foi uma época estranha. Eu estava muito confusa. Na verdade, ainda estou confusa, não sei o que acontece comigo, não tenho certeza de nada.
Não é como ser algumas dessas meninas populares da escola, que sempre sabem o que querem, que sempre tem alguém com quem conversar. Eu não sou assim, não sou decidida. Sou bem mais fechada. Tenho a mentalidade antiga, sim, não entendo nada de tecnologia. Queria ter vivido na época dos meus pais, onde crianças brincavam nas ruas não asfaltadas, onde a infância era sempre bem vivida, sem televisão, sem computador, sem nada, somente imaginação e companhia de outras crianças. Sempre foi o meu sonho ter a infância que eles tiveram, mas não tive.
Além de ter uma mentalidade mais antiga, eu tenho uma mente muito confusa. Não sei se aquela enxerida contou o que ela desconfia, o que eu tenho quase certeza de que é verdade, mas, como eu disse, quase certeza. Eu sinto falta do tempo em que tinha certeza. A certeza é uma dádiva, devia ter aproveitado enquanto a tinha, como não a aproveitei, posso conviver com a dúvida. Porque eu não quero ser aquelas garotas dos filmes da Disney, que ficam apaixonadinhas por alguém que não as veem.
A confusão que eu sinto não se compara a confusão dessa carta. Porque eu me pergunto: “Como uma pessoa não sabe que gosta de outra pessoa?”
Quando eu fiquei de castigo, meu pai disse que só não tiraria minha internet porque não queria que eu ficasse alienada. Me perguntei: “Mais alienada do que já sou?”
Eu sempre fui alienada, essa é a verdade, nunca percebi o que era tudo aquilo que me faziam quando eu era menor, nunca percebi o que fazem comigo... O que eu faço comigo mesma, sempre. Eu fiquei muito tempo sem perceber que eu sofri Bullying, mas realmente não me importo, porque eu mesma fiz isso acontecer. Ou talvez seja coisa da minha imaginação, mas é assim que eu me sinto agora, que minha irmã foi embora. Eu nunca contei isso a ninguém. Como isso é uma carta, resolvi escrever.
O que sentimos nem sempre é algo que se dá pra escrever, mas é o que eu estou tentando fazer, tentando fazer o impossível.
Não é como ser uma pessoa normal que sabe o que sente, ser uma pessoa tão alienada assim, só pode ser alienada na questão dos sentimentos, também, com os próprios sentimentos, até.
Eu não sabia que comecei a gostar de você de novo, até aquela época em que você e seus amigos ficaram gripados, eu estava completamente confusa. No primeiro dia vi você péssimo na sala de vídeo, tive que me controlar muito para não perguntar se você estava bem. Você parecia estar mais vermelho e com o cabelo todo bagunçado. Quando vi você na sala de aula, eu tive que ter muita força de vontade para não me virar o tempo todo para ver se você estava bem. Eu me preocupei com você, pela primeira vez eu me preocupei de verdade com alguém que não da minha família (real ou virtual). Eu achei que ninguém tinha percebido além de mim. Fiquei com medo de estar gostando de você novamente, e era exatamente o que estava acontecendo.
Então os dias foram se passando e eu fiquei me controlando para não ficar o encarando o tempo todo que o via. Porque essa era a minha vontade. Mas a vergonha era maior, vergonha de você descobrir, vergonha de seus amigos descobrirem, vergonha de ser zoada novamente, vergonha do que eu estava sentindo.
E agora estou aqui, com o coração apertado, escutando uma música meio deprimente, pensando em tudo o que eu escrevi. Toda a verdade que eu não consegui falar, mas sim escrever, porque é nisso que eu sou boa.
Talvez você já deva ter percebido quem é que escreveu isso, quem é que teve paciência para escrever uma carta de três folhas para você, quem é que quis escrever isso pra se libertar de algo impossível.
Eu tentei disfarçar, o máximo que pude, tentei ser eu mesma o tempo inteiro. Mas não dá. Talvez, se você tentasse conversar comigo sem a companhia de ninguém... Ou não... Não sei se eu conseguiria falar com você depois disso. Não depois de esclarecer o que eu sinto pra mim mesma.
Não estou dizendo que quero que você venha falar comigo, embora seja isso mesmo que eu queira, não quero que faça algo que não queira. Nunca quis. Ninguém pode te obrigar a nada. Talvez você nem esteja lendo esta parte da carta, mas não importa.
Eu só queria que você fosse menos legal com as pessoas, porque é realmente isso que me fascina. Espero que isso nunca mude, espero mesmo. E sabe quando você defendeu minha irmã? Quando aquele garotinho mais novo mostrou o dedo do meio para ela? Aquilo também foi muito legal. Queria que algum dia alguém faça isso por mim, sabe, me proteger de alguém que esteja me chateando.
Então, imagino que seja isso. Imagino que esta carta possa estar no lixo de sua casa, ou na rua, ou amassada como uma bolinha de papel para jogar nas pessoas, ou queimada. Ou ela pode estar em suas mãos, espero que essa seja a opção mais certa.
Com carinho e admiração
Alguém
19 de novembro de 2013, Guarapari, Espírito Santo
Querido Alguém,
Não sou alguém com quem você converse muito, talvez nem alguém que você veja. Mas ficou insuportável conviver com isso sozinha. É como se não houvesse nada nem ninguém comigo, com quem eu pudesse conversar. Com quem eu pudesse me aconselhar. Sim, eu sei que você não vai me responder, imagino que essa carta esteja embaixo de uma lata de refrigerante qualquer, com uma mancha enorme nos cantos. “É uma carta boba de alguém que eu não conheço” você deve ter pensado. “Ah, é uma carta de amor de uma garota da minha escola, pode rasgar.” você disse a sua empregada ou a sua mãe. Mas eu escreverei mesmo assim, pois, mesmo sabendo que você pode estar jogando essa carta fora... Bom, ao menos eu a escrevi.
Não é a mesma coisa que escrever uma carta à mão, como eu gostaria, como eu acharia mais viável, mas eu fiquei com medo. Na verdade, é a única coisa que eu senti, durante toda a minha vida, sabe por quê? Porque eu tenho pânico de pessoas. Você deve ter percebido que eu não consigo falar quando estou com muitas pessoas. Pois então, é por isso.
Talvez você não se lembre de mim, mas eu lembro de você. Quero dizer, lembro mais da sua fisionomia, é claro. Éramos muito pequenos e, como meu irmão mais novo faz questão de ressaltar, eu não tenho uma boa memória. Sabe, não sei se você lembra, eu era a garota que usava uma lancheira e uma agenda como computador portátil, a garota que vivia chorando por tudo. É, eu sei, eu era mais... Fofa, fisicamente, mas quem não era naquela época? Éramos todos tão pequenos, com quatro ou cinco anos.
Não sei se você fez parte dessa parte da minha infância, mas, sabe, eu era uma criança feliz, embora muito chorona. Em parte, talvez seja por isso que eu tenha esse emocional complicado. Um emocional que piora a cada dia depois que minha irmã foi embora, morar no Rio de Janeiro. Sabe, por um ano eu tinha esquecido minha infância, por um ano eu tive uma amiga verdadeira, por um ano eu tinha uma irmã maravilhosa que foi, sim, minha terapeuta. Talvez seja disso que eu precise, um(a) terapeuta.
Eu sempre fui uma menina romântica, boba e antiquada. Cartas de amor manuscritas, para mim, eram as únicas maneiras de falar para alguém que eu o amava, isso, hoje, nos tempos em que tudo é escrito pelo computador, pelo teclado e mandado com tanta rapidez pela internet, é uma coisa antiquada. Mas isso é o que eu mais apreciei nos tempos antigos. Antigamente tudo era tão romântico, o romance era tão mais simples. É, talvez seja isso que eu espere para mim, algo (ou alguém) romântico, mas nem tanto; que me faça sentir como se vivesse nas nuvens e em terra firme, ao mesmo tempo; algo (ou alguém) que me fale coisas românticas, mas não muito melosas. Eu sei que isso é utópico, mas talvez seja isso que eu espere.
Nunca foi a mesma coisa falar e escrever pra mim. Escrever é sempre mais fácil de me expressar, por isso estou escrevendo esta carta. Esta carta é pra me expressar, mais que isso, me libertar. Me libertar de algo que eu sinto, de algo que eu não consigo me separar, não mais.
Talvez fosse mais fácil se você fosse mais arrogante, mais frio. Mas não, você tinha que ser, como dizem, gente boa e, pra mim, fofo. Sim, eu já gostei de você uma vez, por um longo tempo, eu achava que era uma coisa boba na época, como aqueles namoricos de infância que alguma vez todos temos. Mas não. Por um tempo eu esqueci, minha cabeça enlouqueceu, eu não sabia de quem gostava mais. Eu não sabia se gostava de mim mesma. Foi uma época estranha. Eu estava muito confusa. Na verdade, ainda estou confusa, não sei o que acontece comigo, não tenho certeza de nada.
Não é como ser algumas dessas meninas populares da escola, que sempre sabem o que querem, que sempre tem alguém com quem conversar. Eu não sou assim, não sou decidida. Sou bem mais fechada. Tenho a mentalidade antiga, sim, não entendo nada de tecnologia. Queria ter vivido na época dos meus pais, onde crianças brincavam nas ruas não asfaltadas, onde a infância era sempre bem vivida, sem televisão, sem computador, sem nada, somente imaginação e companhia de outras crianças. Sempre foi o meu sonho ter a infância que eles tiveram, mas não tive.
Além de ter uma mentalidade mais antiga, eu tenho uma mente muito confusa. Não sei se aquela enxerida contou o que ela desconfia, o que eu tenho quase certeza de que é verdade, mas, como eu disse, quase certeza. Eu sinto falta do tempo em que tinha certeza. A certeza é uma dádiva, devia ter aproveitado enquanto a tinha, como não a aproveitei, posso conviver com a dúvida. Porque eu não quero ser aquelas garotas dos filmes da Disney, que ficam apaixonadinhas por alguém que não as veem.
A confusão que eu sinto não se compara a confusão dessa carta. Porque eu me pergunto: “Como uma pessoa não sabe que gosta de outra pessoa?”
Quando eu fiquei de castigo, meu pai disse que só não tiraria minha internet porque não queria que eu ficasse alienada. Me perguntei: “Mais alienada do que já sou?”
Eu sempre fui alienada, essa é a verdade, nunca percebi o que era tudo aquilo que me faziam quando eu era menor, nunca percebi o que fazem comigo... O que eu faço comigo mesma, sempre. Eu fiquei muito tempo sem perceber que eu sofri Bullying, mas realmente não me importo, porque eu mesma fiz isso acontecer. Ou talvez seja coisa da minha imaginação, mas é assim que eu me sinto agora, que minha irmã foi embora. Eu nunca contei isso a ninguém. Como isso é uma carta, resolvi escrever.
O que sentimos nem sempre é algo que se dá pra escrever, mas é o que eu estou tentando fazer, tentando fazer o impossível.
Não é como ser uma pessoa normal que sabe o que sente, ser uma pessoa tão alienada assim, só pode ser alienada na questão dos sentimentos, também, com os próprios sentimentos, até.
Eu não sabia que comecei a gostar de você de novo, até aquela época em que você e seus amigos ficaram gripados, eu estava completamente confusa. No primeiro dia vi você péssimo na sala de vídeo, tive que me controlar muito para não perguntar se você estava bem. Você parecia estar mais vermelho e com o cabelo todo bagunçado. Quando vi você na sala de aula, eu tive que ter muita força de vontade para não me virar o tempo todo para ver se você estava bem. Eu me preocupei com você, pela primeira vez eu me preocupei de verdade com alguém que não da minha família (real ou virtual). Eu achei que ninguém tinha percebido além de mim. Fiquei com medo de estar gostando de você novamente, e era exatamente o que estava acontecendo.
Então os dias foram se passando e eu fiquei me controlando para não ficar o encarando o tempo todo que o via. Porque essa era a minha vontade. Mas a vergonha era maior, vergonha de você descobrir, vergonha de seus amigos descobrirem, vergonha de ser zoada novamente, vergonha do que eu estava sentindo.
E agora estou aqui, com o coração apertado, escutando uma música meio deprimente, pensando em tudo o que eu escrevi. Toda a verdade que eu não consegui falar, mas sim escrever, porque é nisso que eu sou boa.
Talvez você já deva ter percebido quem é que escreveu isso, quem é que teve paciência para escrever uma carta de três folhas para você, quem é que quis escrever isso pra se libertar de algo impossível.
Eu tentei disfarçar, o máximo que pude, tentei ser eu mesma o tempo inteiro. Mas não dá. Talvez, se você tentasse conversar comigo sem a companhia de ninguém... Ou não... Não sei se eu conseguiria falar com você depois disso. Não depois de esclarecer o que eu sinto pra mim mesma.
Não estou dizendo que quero que você venha falar comigo, embora seja isso mesmo que eu queira, não quero que faça algo que não queira. Nunca quis. Ninguém pode te obrigar a nada. Talvez você nem esteja lendo esta parte da carta, mas não importa.
Eu só queria que você fosse menos legal com as pessoas, porque é realmente isso que me fascina. Espero que isso nunca mude, espero mesmo. E sabe quando você defendeu minha irmã? Quando aquele garotinho mais novo mostrou o dedo do meio para ela? Aquilo também foi muito legal. Queria que algum dia alguém faça isso por mim, sabe, me proteger de alguém que esteja me chateando.
Então, imagino que seja isso. Imagino que esta carta possa estar no lixo de sua casa, ou na rua, ou amassada como uma bolinha de papel para jogar nas pessoas, ou queimada. Ou ela pode estar em suas mãos, espero que essa seja a opção mais certa.
Com carinho e admiração
Alguém
Drop Shot 1 - Sentimentos
Mas o que são "Drop Shots"? São pequenos textos, como o próprio nome diz, de fácil leitura e não massantes, gostou? Deixe seu review em comentário!
É estranho quando vários sentimentos são facilmente confundidos e mesmo assim as pessoas os aceitam, aceitam o modo que eles fluem, o modo que eles são livres e sem limites, mas o sentimento mais puro e simples, pode vir a se tornar o mais complicado e misterioso por sua vez, é como um infinito que pode ser uma eternidade ou até mesmo um segundo, como dizia Lewis Caroll, infinito é o tempo que não se sabe quando começou nem seu fim, porém tem-se certeza de seu meio, um emaranhado de pequenos tempos justapostos um em seguida do outro, exatamente como o sentimento mais puro, denominado pelo homem de "amor", porém essa palavra não é somente uma junção fonética, é mais que isso, muito mais que isso, mais que um mistério, mas menos que um infinito misterioso, o 'amor' é o que se sente, se percebe, mas não se toca ou interpreta, ele simplesmente existe sem mais nem menos, não se sabe seu começo, muito menos seu fim, se é que este fim existe, mais longo que um infinito, mais curto que uma vida, num clima de tempos distorcidos e incertos ele nasce, cresce, se fortalece, mas não quer morrer, quer ficar ali e viver para sempre, na maioria das vezes ele escolhe a pessoa errada, mas as vezes para quem tem sorte e/ou a merece o amor escolhe a pessoa certa, caso você não tenha sorte, faça a merecer e se tiver sorte melhor ainda, pois o amor é justo, a vida não.
É estranho quando vários sentimentos são facilmente confundidos e mesmo assim as pessoas os aceitam, aceitam o modo que eles fluem, o modo que eles são livres e sem limites, mas o sentimento mais puro e simples, pode vir a se tornar o mais complicado e misterioso por sua vez, é como um infinito que pode ser uma eternidade ou até mesmo um segundo, como dizia Lewis Caroll, infinito é o tempo que não se sabe quando começou nem seu fim, porém tem-se certeza de seu meio, um emaranhado de pequenos tempos justapostos um em seguida do outro, exatamente como o sentimento mais puro, denominado pelo homem de "amor", porém essa palavra não é somente uma junção fonética, é mais que isso, muito mais que isso, mais que um mistério, mas menos que um infinito misterioso, o 'amor' é o que se sente, se percebe, mas não se toca ou interpreta, ele simplesmente existe sem mais nem menos, não se sabe seu começo, muito menos seu fim, se é que este fim existe, mais longo que um infinito, mais curto que uma vida, num clima de tempos distorcidos e incertos ele nasce, cresce, se fortalece, mas não quer morrer, quer ficar ali e viver para sempre, na maioria das vezes ele escolhe a pessoa errada, mas as vezes para quem tem sorte e/ou a merece o amor escolhe a pessoa certa, caso você não tenha sorte, faça a merecer e se tiver sorte melhor ainda, pois o amor é justo, a vida não.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Um amor incerto - Parte final
-Só vou te soltar quando você der um beijo de língua nele-
Não pensei duas vezes, abri minha boca e deixei que o clima me levasse, eu queria dar aquele beijo, mas não na frente de todos, não naquela festa, mas não tinha opção, aquele fora meu primeiro beijo e fora forçado, mas fora com o garoto que eu amava e tenho que admitir: Jorge sabe fazer um desafio e Willian sabe beijar bem...
No dia seguinte não me lembrava de muita coisa, lembrava do desafio e do beijo, acordei, olhei para o lado e vi Willian, lembrei de parte da noite, lembrei do momento que entramos no apartamento dele e o momento que me pus a deitar, não que tenha acontecido algo a mais, pelo menos a que me lembro... Levantei e fui até o banheiro, me arrumei e fui até a cozinha, fiz um café, arrumei tudo em uma bandeja e fui de volta até o quarto. Willian ainda estava dormindo, ele estava tão fofo segurando um urso de pelúcia.. Espera um urso?? Parece-me que até ele tem seu lado fofinho e sentimental, mas acordei ele sussurrando no seu ouvido:
- Bom dia, bonitinho. –
- Bom dia, meu gatão. – Ele respondeu
- Eu fiz o café da manhã e fiz o cupcake que você ama, vamos comer? – Eu ofereci
- Eu adoraria, mas eu teria que levantar e você sabe que eu tenho muiiiiita preguiça, meu pequeno cozinheiro, mas qual é a do avental “Kiss the cook”? – Ele brincou
- Obedeça ao avental, beije o cozinheiro. - Eu disse
- Você que manda. – Ele respondeu
Ele me beijou, um beijo quente e cheio de sentimentos, nos beijamos por um tempo, me afastei e ele começou a tirar minha camisa, eu o impedi dizendo em seu ouvido:
-Tudo bem, hoje é sábado, mas vamos tomar o café-da-manhã antes e fazemos o que você quiser depois –
- Okay, mas... Acho que não tenho camisinha em casa... – Ele disse suspirando.
- Seu pervertido, o que você quer fazer é... Seu maldito, pervertido e lindo, eu achei que você queria... – Eu comecei a brigar, mas ele colocou o dedo cobrindo meus lábios.
- O que você achou que eu queria fazer? Assistir “Friends” com meu “amigo” sem camisa? – Ele disse, tirando o dedo de meus lábios.
Eu o encarei por algum tempo, lembrei que estava segurando a bandeja do café, instintivamente olhei em volta, mas não havia ninguém, até porque estávamos na casa dele, coloquei a bandeja na cama, troquei de roupa, olhei para ele com uma cara de ódio e disse:
-Vou na farmácia e você tome café, coma os cupcakes e se quando eu voltar você ainda estiver na cama e os bolinhos nas formas, eu juro que te mato. -
Fui até a farmácia, completamente corado, e comprei as drogas das camisinhas, tinha um farmacêutico, ele era a unica pessoa que sabia que eu era.... Bem, ainda é estranho dizer, mas vou tentar ser simples, que eu jogava no outro time, mas com ele era diferente, ele tinha um namorado, então isso era normal, ele me deu um sorriso de cumplicidade quando cheguei ao caixa, bem não pude me contar a soltar um leve riso e voltei para a casa de Willian, mas ainda me perguntava como Willian sabia que eu era... Que eu era gay, ainda nutro um sentimento de desconfiança a este farmacêutico, será que ele estava envolvido? bem espero que não. Isso seria realmente ruim, uma mãozinha de John e meu destino se traçou? Cheguei em casa, me assustei de como tanto as formas, quanto o que eu usara para fazer os cupcakes estavam lavados e estavam secando, entrei no quarto e lá estava Willian me esperando e então percebi como o rumo de minha vida mudará e espero que o farmacêutico, John tenha ajudado Willian nisso tudo e percebi como eu devo agradecer ao destino por tudo que tenho. Saber que esse dia seria o dia que mudaria minha vida, mudaria minha vida com o garoto que mais amava em toda minha vida...
No dia seguinte, levantei, fiz minha higiene e era novamente segunda-feira, num misto de escola, trabalho e Willian, levarei minha vida e me pergunto, será que mais pessoas tem a sorte que eu tenho? O telefone tocou, era minha irmã mais velha, Rachel, sua voz parecia sem-vida e assustada, ela só me disse uma coisa:
- Logan, mamãe - Ela fez uma longa pausa - Mamãe morreu de ataque cardíaco, suas ultimas palavras foram: "Onde está Logan? Na casa do Willian novamente?", me diz que você está a salvo com Willian, pois se algo acontece-se com você, eu juro que morreria.
- Eu estou na casa dele sim, mas estou indo para ai agora mesmo. -
- Certo, não esqueça, eu te amo e muito - Ela caiu em lágrimas -
Essa ligação repentina me fez pensar, o quanto a vida pode mudar de uma hora para outra, eu pensei em mil coisas, até mesmo me matar, porém percebi que este era o ato mais egoísta que alguém pode fazer, lembrei do que minha irmã dissera, voltei a mim quando ouvi o som de uma buzina de caminhão, senti que minha vida se extinguira naquele momento, pensei "Serei atropelado? Com minha irmã sofrendo? Não mesmo" Afundei o pé no acelerador e passei antes do impacto com o caminhão, os níveis de adrenalina em meu corpo estavam claramente altos, finalmente cheguei na casa de Rachel, encontrei ela chorando no sofá e resolvi somente consola-la e esquecer-me de tudo que aconteceu comigo, minha unica rasão para viver era cuidar de minha irmã.
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